Conhecido como Maneco, autor faleceu aos 92 anos; filha Júlia Almeida comunicou que velório será fechado e a causa da morte não foi divulgada
O autor Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, conhecido pelo apelido Maneco, morreu neste sábado, 10, aos 92 anos. Natural de São Paulo e radicado na zona sul do Rio de Janeiro, Manoel Carlos construiu uma carreira marcada por novelas que tiveram forte presença carioca e protagonistas chamadas Helena — as famosas “Helenas” do autor.
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Em comunicado divulgado por sua filha Júlia Almeida, a família informou: “É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, carinhosamente conhecido como Maneco, ocorrido hoje, aos 92 anos”. O texto acrescenta que “o velório será fechado e restrito à família e amigos íntimos” e pede “respeito e privacidade neste momento delicado”. A causa da morte não foi divulgada.
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Trajetória e primeiros passos na TV
Manoel Carlos nasceu em 14 de março de 1933, em São Paulo, filho do comerciante José Maria Gonçalves de Almeida e da professora Olga de Azevedo de Almeida. Começou a trabalhar aos 14 anos como auxiliar de escritório, mas também participou de grupos de jovens ligados à literatura e ao teatro na Biblioteca Municipal de São Paulo — ambiente que reuniu nomes como Fernanda Montenegro e Fernando Torres.
Sua estreia na televisão foi como ator: em 1951, aos 17 anos, participou do “Grande Teatro Tupi”. Entre as décadas de 1950 e 1960 atuou em diferentes emissoras e veículos, como TV Record, TV Rio, TV Tupi, TV Itacolomi e Jornal do Commercio, além de integrar projetos da extinta TV Excelsior. Trabalhou em programas com figuras como Chico Anysio, Jô Soares e Hebe Camargo.
Carreira na Globo e as Helenas
Manoel Carlos ingressou na TV Globo em 1972 como diretor-geral do programa Fantástico. Em 1978 adaptou sua primeira novela para a emissora, “Maria, Maria”. A estreia como autor titular ocorreu em 1981 com “Baila Comigo”, que introduziu a primeira Helena, interpretada por Lilian Lemmertz — marca que se repetiria em várias obras subsequentes.
Ao longo da carreira, escreveu mais de 15 folhetins e se tornou referência por novelas como “Sol de Verão” (1982), “Felicidade” (1991), “História de Amor” (1995), “Por Amor” (1997), “Laços de Família” (2000), “Mulheres Apaixonadas” (2003), “Páginas da Vida” (2006), “Viver a Vida” (2009) e “Em Família” (2014). Também assinou minisséries e seriados de destaque, entre eles “Presença de Anita” (2001), “Maysa – Quando Fala o Coração” (2009) e o seriado “Malu Mulher” (1979).
Saúde, vida pessoal e legado
Nos últimos anos, Manoel Carlos estava afastado da televisão desde a exibição de “Em Família” (2014). Cerca de seis anos antes de seu falecimento, recebeu diagnóstico de Parkinson, condição que foi publicamente conhecida e afetou sua rotina.
Manoel Carlos deixa a esposa Elisabety Gonçalves de Almeida, com quem era casado desde 1981, e duas filhas, Júlia Almeida e Maria Carolina. Ao longo da vida teve três casamentos, sendo Bety Almeida a terceira esposa.
Reconhecido por retratar relações familiares, dilemas pessoais e a paisagem urbana do Leblon e de outras áreas do Rio de Janeiro, Manoel Carlos deixa legado relevante na dramaturgia brasileira. Suas “Helenas” — mulheres complexas, em diferentes fases da vida — viraram referência na cultura das telenovelas e marcaram gerações de atores e espectadores.
Despedida e homenagens
A família solicitou privacidade e informou que o velório será restrito a parentes e amigos íntimos. Não houve divulgação da causa da morte nem de detalhes sobre cremação ou sepultamento. Nos próximos dias, colegas de profissão, artistas e veículos de comunicação devem publicar homenagens à memória do autor, cujo trabalho é parte central da história recente da televisão brasileira.
Manoel Carlos deixa como herança uma obra extensa e personagens ora dramáticos, ora cotidianos, que ajudaram a consolidar melodrama e realismo nas novelas da TV Globo.
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