Reajuste combina inflação medida pelo INPC e variação da economia de 2024, limitado a 2,5% pelo teto de gastos; alteração beneficia cerca de 62 milhões de brasileiros
O novo salário mínimo nacional será de R$ 1.621 a partir de janeiro de 2026. Pelo mecanismo em vigor, o valor é atualizado anualmente pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor acumulado em 12 meses até novembro, acrescido da variação da economia de dois anos antes, isto é, do crescimento referente a 2024, com limite máximo de 2,5% ao ano devido ao teto de gastos.
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Como foi calculado o reajuste
O cálculo combina dois componentes. Primeiro, a reposição da inflação pelo INPC acumulado no período de referência. Em seguida, soma-se a parcela que corresponde ao crescimento econômico de 2024, respeitando o limite imposto pelo teto de gastos, que impede aumentos superiores a 2,5% no componente real anual. Juntos, os elementos garantem um aumento real do piso, diferente do método adotado em gestões anteriores, quando o reajuste era aplicado apenas pela inflação.
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O que muda para trabalhadores e famílias
O salário mínimo é a menor remuneração permitida para trabalhadores formalizados e, segundo a Constituição, deve cobrir necessidades vitais básicas da pessoa e sua família. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos, o Dieese, uma família de quatro pessoas precisaria de um mínimo mensal de R$ 7.067,18 em novembro de 2025 para atender essas necessidades, valor equivalente a cerca de 4,3 vezes o piso de R$ 1.621.
Impacto econômico e alcance
O Dieese aponta que aproximadamente 62 milhões de brasileiros recebem o salário mínimo. O reajuste para R$ 1.621 representa um incremento estimado de R$ 81,7 bilhões na economia, pelo aumento da massa salarial. O departamento também alertou para os efeitos adversos do modelo anterior, quando a recomposição limitada à inflação deixou o poder de compra mais vulnerável em períodos de preços elevados, especialmente em itens como alimentos, que subiram acima da média entre 2020 e 2022.
Contexto e comparação com políticas anteriores
Ao contrário da política aplicada nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, quando o piso era reajustado apenas pela inflação, o modelo atual incorpora um componente de crescimento real, ainda que submetido ao limite do teto de gastos. Para o Dieese, essa combinação busca evitar a deterioração do salário mínimo real em cenários de inflação mais alta, embora o piso ainda fique distante do valor que o órgão entende como necessário para suprir integralmente as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas.





