O Tribunal do Júri de Ecoporanga condenou, nesta sexta-feira (19), o réu Marcos Pereira Soares a 31 anos e 6 meses de reclusão pelo assassinato de um adolescente de 15 anos. O crime, ocorrido em dezembro de 2022, chocou o Espírito Santo pela frieza da execução e pela motivação torpe.
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A sentença determina o cumprimento da pena inicialmente em regime fechado, sem o direito de recorrer em liberdade. Os jurados acolheram a tese do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), reconhecendo as qualificadoras de motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima, além dos crimes de ocultação de cadáver e corrupção de menores/contribuição criminosa.
Atuação do Ministério Público
O Promotor de Justiça Geraldo Marques Vasconcelos, que representou o MPES no julgamento, destacou a importância da resposta judicial para a sociedade. “O crime teve grande repercussão estadual e a sociedade esperava por esse desfecho, para que casos como esses não permaneçam impunes”, afirmou.
Relembre o caso: Emboscada e execução
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O crime foi motivado pelo inconformismo de João Luiz Rizzoli — patrão de Marcos e já condenado anteriormente — com o namoro de sua filha com a vítima. Em 5 de dezembro de 2022, os envolvidos partiram de Colatina após atraírem o jovem para uma emboscada.
A rotina interrompida em Colatina
A vítima levava uma vida comum de um adolescente de 15 anos em Colatina, onde frequentava a escola e mantinha seu círculo de amizades. O relacionamento com a filha de João Luiz Rizzoli, embora fosse o motivo central do crime, era vivido de forma típica para a idade, até o momento em que a desaprovação do pai da jovem escalou para uma vigilância extrema.
No dia do crime, o jovem acreditava estar saindo para um encontro rotineiro com a namorada, sem suspeitar que a comunicação por mensagens — parte constante do seu dia a dia digital — estava sendo simulada pelos seus executores para retirá-lo de seu ambiente seguro.
Utilizando o celular da própria filha, Rizzoli fingiu ser a adolescente para marcar um encontro. Ao chegar no local, o rapaz foi sequestrado e algemado com abraçadeiras plásticas. Sob ordens de Rizzoli, Marcos Pereira Soares levou o adolescente até a Serra da Mamona, na zona rural de Ecoporanga, onde o executou e escondeu o corpo. Os restos mortais foram localizados apenas seis dias depois.
Desfecho jurídico
Com a decisão desta sexta-feira, os dois principais envolvidos no crime estão condenados. Em julho deste ano, João Luiz Rizzoli já havia recebido a pena de 32 anos de prisão como mandante do homicídio. O julgamento de Marcos havia sido adiado devido a recursos judiciais da defesa, sendo finalizado agora com a condenação superior a três décadas.





