Morreu aos 98 anos, por causas naturais, o Senhor Anisio Lordes, conhecido carinhosamente como Seu Anisio, no distrito de Itapina, em Colatina, no Noroeste do Espírito Santo. Figura querida na comunidade, ele faleceu em casa. O sepultamento está marcado para as 10h30, no cemitério de Itapina.
Veja também: De Itapina à pós-graduação: a estudante que passou em primeiro lugar em programas renomados
Devoto e artesão, Seu Anisio ganhou notoriedade em todo o Estado após participar duas vezes do programa Em Movimento, da TV Gazeta. Sua história chamou a atenção do público pela forma serena e consciente com que encarava a morte. Em uma das entrevistas, contou que havia construído o próprio caixão e idealizado todos os detalhes do ritual de despedida, incluindo as músicas que gostaria que fossem tocadas no velório — gravadas com a própria voz —, o terno que usaria e até o local exato onde desejava ser sepultado.
> Quer receber as principais notícias do Colatina em Ação no WhatsApp? Clique aqui e entre na nossa comunidade!
A ideia de confeccionar o caixão surgiu em 2019, durante uma noite de oração. “Veio na minha mente e eu pensei de fazer”, relatou à época à equipe do programa. Em apenas cinco dias, Anisio produziu a estrutura artesanal utilizando canudinhos feitos de jornal, em um trabalho que simbolizava sua fé, criatividade e a maneira singular como compreendia a finitude da vida.
> Quer receber as principais notícias do Colatina em Ação no WhatsApp? Clique aqui e entre na nossa comunidade!
Apesar do desejo, o caixão não poderá ser utilizado no sepultamento. Com o passar do tempo, o material de papel se deteriorou e acabou inutilizado. Ainda assim, a família afirma que o gesto representa um legado simbólico deixado por ele.
O apresentador Diego Araújo, que entrevistou Seu Anisio no Em Movimento, destacou o impacto da história em sua trajetória profissional. “Foi uma das matérias mais marcantes que já fiz nesses quase dez anos de programa. Conhecer alguém como ele me fez repensar muito a forma de enxergar esse momento que, para muitos, é pesado e triste”, afirmou.
A sobrinha Elizabeth Lordes conta que a família recebeu a partida com serenidade. “Ele viveu do jeito que quis. Era muito querido, todo mundo na cidade gostava dele. Uma pessoa devota, que trabalhava com artes e espalhava carinho por onde passava”, disse.
Seu Anisio deixa a memória de uma vida simples, marcada pela fé, pela arte e por uma forma rara e tranquila de encarar o fim da existência.





