Metade dos casais brasileiros que não conseguem engravidar após um ano de tentativas enfrenta problemas de infertilidade masculina, segundo dados da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) divulgados em 2024. Em 20% dos casos, o problema é exclusivamente masculino. Nos 30% a 40% restantes, homens e mulheres contribuem para a dificuldade.
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A infertilidade masculina atinge entre 15% e 18% dos homens brasileiros, segundo o professor Jorge Hallak, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Há duas décadas, a taxa variava entre 10% e 13%. Especialistas associam esse crescimento a fatores ambientais e de estilo de vida, como poluição, sedentarismo, consumo de álcool e drogas.
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Há também o impacto de tratamentos na saúde do homem que deseja ser pai – entre eles, o oncológico. Durante a terapia contra o câncer, a função do PET-CT Oncológico inclui avaliar a resposta do organismo aos tratamentos e monitorar possíveis metástases, informações que auxiliam a equipe médica a definir o momento adequado para reavaliar a capacidade reprodutiva. Depois do homem passar pelo tratamento, a SBRH recomenda aguardar pelo menos nove meses antes de reavaliar o potencial fértil.
Preservação da fertilidade é recomendada antes de tratamentos de risco
Uma das medidas preventivas indicadas para pacientes que passarão por tratamentos oncológicos e querem preservar as chances de paternidade no futuro é a criopreservação de sêmen. A Sociedade Americana de Oncologia (ASCO) recomenda que médicos discutam a preservação da fertilidade com pacientes em idade reprodutiva antes do início do tratamento contra o câncer.
O momento do diagnóstico, porém, nem sempre é ideal para essa discussão. “O paciente está passando por um trauma, por um acontecimento que está mexendo com a vida dele. Muitas vezes, naquele momento, ele não está pensando no futuro; ele está pensando em resolver o problema”, observa o médico Helce Ribeiro durante o podcast da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), que reuniu quatro profissionais urologistas no Rio de Janeiro. O profissional defende que a orientação sobre preservação seja oferecida ativamente em um momento propício, de acordo com a avaliação dos profissionais da saúde.
Segundo os médicos, a técnica de congelamento é segura e as amostras podem permanecer viáveis por décadas: na literatura médica, há relatos de congelamento por mais de 28 anos. Além do aspecto técnico, a preservação funciona como apoio emocional durante o tratamento.
O custo do procedimento é mais acessível quando comparado ao congelamento de óvulos, como explica o médico Igor Dutra, urologista e especialista em Reprodução Humana, no Podcast SBURJ.
“O fato de congelar e preservar, mesmo que ele não precise usar – porque em alguns casos ele vai recuperar essa função lá na frente – já traz um apoio e uma segurança que fazem com que esse caminhar durante o processo de diagnóstico e tratamento se torne mais leve”, observa o urologista Antônio Tavares, apresentador do Podcast SBURJ.
Avaliação completa inclui dosagem hormonal e genética
O espermograma mede quantidade e qualidade dos espermatozoides, mas não funciona como teste definitivo de fertilidade. Segundo a SBRH, a avaliação completa exige histórico clínico detalhado, exame físico, dosagem hormonal e, em casos específicos, testes genéticos. A organização baseia seus protocolos nas diretrizes da Organização Mundial da Saúde.
Cerca de 15% dos homens inférteis apresentam espermograma normal, segundo revisão científica publicada no repositório PMC em setembro de 2024. Esses pacientes carregam danos moleculares que apenas testes complementares detectam. A fragmentação do DNA espermático, por exemplo, aparece em homens com parâmetros seminais convencionais preservados.
A Associação Americana de Urologia (AUA) e a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) atualizaram suas diretrizes em agosto de 2024. O documento, publicado no Journal of Urology, incluiu novos limiares para testes genéticos.
Homens com azoospermia (ausência total de espermatozóides) ou concentração inferior a 1 milhão por mililitro devem fazer o exame de microdeleção do cromossomo Y quando apresentam FSH (hormônio folículo-estimulante) elevado ou atrofia testicular. O cariótipo e a pesquisa dessas microdeleções são recomendados quando a concentração fica abaixo de 5 milhões por mililitro.
Varicocele é principal causa reversível
A varicocele é a causa cirurgicamente reversível mais comum de infertilidade masculina. O Governo de São Paulo divulgou em agosto de 2024 que a condição está presente em 15% da população masculina geral. Entre homens inférteis, a taxa sobe para 30% a 40%. O diagnóstico é feito por exame físico, mas pode exigir confirmação por ecografia testicular ou ultrassonografia.
Com a dilatação anormal dos vasos testiculares causada pela varicocele, o retorno venoso fica prejudicado. A falta de nutrientes trazidos pelo sangue reduz a qualidade do sêmen.
O Sistema Único de Saúde registrou 5.178 cirurgias de varicocele em 2023. Em 2019, antes da pandemia de covid-19, foram realizadas 4.809 cirurgias. A correção microcirúrgica subinguinal elimina a varicocele em mais de 90% dos casos e os parâmetros seminais melhoram entre seis e nove meses após o procedimento.
Síndrome de Klinefelter é alteração mais comum
Um estudo retrospectivo chinês analisou 1.600 pacientes com azoospermia ou oligospermia severa (concentração muito baixa de espermatozoides). A pesquisa, publicada na revista Gene em janeiro de 2025, identificou anormalidades cromossômicas em 20,88% dos casos. O cariótipo 47,XXY, que caracteriza a Síndrome de Klinefelter, foi a alteração mais frequente.
A Síndrome de Klinefelter afeta aproximadamente um a cada 500-600 homens, segundo dados de 2021 do PMC. A condição é a anomalia cromossômica mais comum entre homens inférteis. As microdeleções da região AZF do cromossomo Y apareceram em 9,69% dos pacientes analisados no estudo chinês. A Associação Europeia de Urologia mantém o limiar para investigação genética em 10 milhões de espermatozoides por mililitro, acima do parâmetro americano.
Testosterona, LH e FSH regulam função reprodutiva
Níveis muito elevados do FSH, hormônio que estimula a produção de espermatozoides, indicam que a produção está abaixo do normal. Quando o FSH está muito baixo, pode ser necessário fazer reposição hormonal.
Já o LH (hormônio luteinizante) regula a produção de testosterona. A testosterona, por sua vez, é necessária para a produção de espermatozoides. A deficiência pode levar à ausência completa de espermatozoides no sêmen.
A SBRH estabeleceu em seu protocolo de outubro de 2024 que a avaliação hormonal deve incluir testosterona, FSH e LH. Em casos específicos, o médico pode solicitar também dosagem de prolactina e hormônios tireoidianos.
Obesidade, tabagismo, álcool, drogas e anabolizantes prejudicam fertilidade
Uma revisão de 217 artigos científicos sobre fatores de estilo de vida foi publicada no PMC em abril de 2024. O trabalho mostrou que obesidade, tabagismo e consumo excessivo de álcool deterioram os parâmetros seminais. O tabagismo reduz a concentração espermática em 13% a 17% quando comparado a não-fumantes.
O professor Jorge Hallak afirmou ao Jornal da USP que a maconha é a substância mais prejudicial à fertilidade masculina. O professor destacou que o estresse crônico também compromete a capacidade reprodutiva. O Brasil aparece entre os países com maiores índices de ansiedade no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Outro fator que prejudica a fertilidade é o uso de anabolizantes, já que eles suprimem a produção natural de testosterona. A exposição prolongada a produtos químicos industriais, pesticidas, metais pesados e radiação também está relacionada à infertilidade masculina.
Infertilidade sinaliza outros problemas de saúde
Homens inférteis têm maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes e câncer testicular. A investigação da infertilidade oferece oportunidade para detectar problemas sistêmicos de saúde. Além da questão reprodutiva, a avaliação médica também pode englobar urologistas, andrologistas e geneticistas trabalhando juntos para identificar as causas do problema.
“Minha mensagem final é que temos que ter um olhar global para a saúde do homem. A saúde reprodutiva é um bem-estar”, afirma o urologista Breno Santiago, referindo-se à definição de saúde da OMS que inclui o bem-estar físico, mental e social. “Quando falamos na preservação da fertilidade, não estamos falando só de um paciente que virá a ser pai no futuro. Estamos falando de uma mãe que seria avó, de uma esposa que seria mãe”, reforça o colega Antônio Tavares.
Metade dos casais brasileiros que não conseguem engravidar após um ano de tentativas enfrenta problemas de infertilidade masculina, segundo dados da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) divulgados em 2024. Em 20% dos casos, o problema é exclusivamente masculino. Nos 30% a 40% restantes, homens e mulheres contribuem para a dificuldade.
Veja também: Vídeo | Colatina ganha 100 novas vagas de estacionamento no centro da cidade
A infertilidade masculina atinge entre 15% e 18% dos homens brasileiros, segundo o professor Jorge Hallak, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Há duas décadas, a taxa variava entre 10% e 13%. Especialistas associam esse crescimento a fatores ambientais e de estilo de vida, como poluição, sedentarismo, consumo de álcool e drogas.
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Há também o impacto de tratamentos na saúde do homem que deseja ser pai – entre eles, o oncológico. Durante a terapia contra o câncer, a função do PET-CT Oncológico inclui avaliar a resposta do organismo aos tratamentos e monitorar possíveis metástases, informações que auxiliam a equipe médica a definir o momento adequado para reavaliar a capacidade reprodutiva. Depois do homem passar pelo tratamento, a SBRH recomenda aguardar pelo menos nove meses antes de reavaliar o potencial fértil.
Preservação da fertilidade é recomendada antes de tratamentos de risco
Uma das medidas preventivas indicadas para pacientes que passarão por tratamentos oncológicos e querem preservar as chances de paternidade no futuro é a criopreservação de sêmen. A Sociedade Americana de Oncologia (ASCO) recomenda que médicos discutam a preservação da fertilidade com pacientes em idade reprodutiva antes do início do tratamento contra o câncer.
O momento do diagnóstico, porém, nem sempre é ideal para essa discussão. “O paciente está passando por um trauma, por um acontecimento que está mexendo com a vida dele. Muitas vezes, naquele momento, ele não está pensando no futuro; ele está pensando em resolver o problema”, observa o médico Helce Ribeiro durante o podcast da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), que reuniu quatro profissionais urologistas no Rio de Janeiro. O profissional defende que a orientação sobre preservação seja oferecida ativamente em um momento propício, de acordo com a avaliação dos profissionais da saúde.
Segundo os médicos, a técnica de congelamento é segura e as amostras podem permanecer viáveis por décadas: na literatura médica, há relatos de congelamento por mais de 28 anos. Além do aspecto técnico, a preservação funciona como apoio emocional durante o tratamento.
O custo do procedimento é mais acessível quando comparado ao congelamento de óvulos, como explica o médico Igor Dutra, urologista e especialista em Reprodução Humana, no Podcast SBURJ.
“O fato de congelar e preservar, mesmo que ele não precise usar – porque em alguns casos ele vai recuperar essa função lá na frente – já traz um apoio e uma segurança que fazem com que esse caminhar durante o processo de diagnóstico e tratamento se torne mais leve”, observa o urologista Antônio Tavares, apresentador do Podcast SBURJ.
Avaliação completa inclui dosagem hormonal e genética
O espermograma mede quantidade e qualidade dos espermatozoides, mas não funciona como teste definitivo de fertilidade. Segundo a SBRH, a avaliação completa exige histórico clínico detalhado, exame físico, dosagem hormonal e, em casos específicos, testes genéticos. A organização baseia seus protocolos nas diretrizes da Organização Mundial da Saúde.
Cerca de 15% dos homens inférteis apresentam espermograma normal, segundo revisão científica publicada no repositório PMC em setembro de 2024. Esses pacientes carregam danos moleculares que apenas testes complementares detectam. A fragmentação do DNA espermático, por exemplo, aparece em homens com parâmetros seminais convencionais preservados.
A Associação Americana de Urologia (AUA) e a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) atualizaram suas diretrizes em agosto de 2024. O documento, publicado no Journal of Urology, incluiu novos limiares para testes genéticos.
Homens com azoospermia (ausência total de espermatozóides) ou concentração inferior a 1 milhão por mililitro devem fazer o exame de microdeleção do cromossomo Y quando apresentam FSH (hormônio folículo-estimulante) elevado ou atrofia testicular. O cariótipo e a pesquisa dessas microdeleções são recomendados quando a concentração fica abaixo de 5 milhões por mililitro.
Varicocele é principal causa reversível
A varicocele é a causa cirurgicamente reversível mais comum de infertilidade masculina. O Governo de São Paulo divulgou em agosto de 2024 que a condição está presente em 15% da população masculina geral. Entre homens inférteis, a taxa sobe para 30% a 40%. O diagnóstico é feito por exame físico, mas pode exigir confirmação por ecografia testicular ou ultrassonografia.
Com a dilatação anormal dos vasos testiculares causada pela varicocele, o retorno venoso fica prejudicado. A falta de nutrientes trazidos pelo sangue reduz a qualidade do sêmen.
O Sistema Único de Saúde registrou 5.178 cirurgias de varicocele em 2023. Em 2019, antes da pandemia de covid-19, foram realizadas 4.809 cirurgias. A correção microcirúrgica subinguinal elimina a varicocele em mais de 90% dos casos e os parâmetros seminais melhoram entre seis e nove meses após o procedimento.
Síndrome de Klinefelter é alteração mais comum
Um estudo retrospectivo chinês analisou 1.600 pacientes com azoospermia ou oligospermia severa (concentração muito baixa de espermatozoides). A pesquisa, publicada na revista Gene em janeiro de 2025, identificou anormalidades cromossômicas em 20,88% dos casos. O cariótipo 47,XXY, que caracteriza a Síndrome de Klinefelter, foi a alteração mais frequente.
A Síndrome de Klinefelter afeta aproximadamente um a cada 500-600 homens, segundo dados de 2021 do PMC. A condição é a anomalia cromossômica mais comum entre homens inférteis. As microdeleções da região AZF do cromossomo Y apareceram em 9,69% dos pacientes analisados no estudo chinês. A Associação Europeia de Urologia mantém o limiar para investigação genética em 10 milhões de espermatozoides por mililitro, acima do parâmetro americano.
Testosterona, LH e FSH regulam função reprodutiva
Níveis muito elevados do FSH, hormônio que estimula a produção de espermatozoides, indicam que a produção está abaixo do normal. Quando o FSH está muito baixo, pode ser necessário fazer reposição hormonal.
Já o LH (hormônio luteinizante) regula a produção de testosterona. A testosterona, por sua vez, é necessária para a produção de espermatozoides. A deficiência pode levar à ausência completa de espermatozoides no sêmen.
A SBRH estabeleceu em seu protocolo de outubro de 2024 que a avaliação hormonal deve incluir testosterona, FSH e LH. Em casos específicos, o médico pode solicitar também dosagem de prolactina e hormônios tireoidianos.
Obesidade, tabagismo, álcool, drogas e anabolizantes prejudicam fertilidade
Uma revisão de 217 artigos científicos sobre fatores de estilo de vida foi publicada no PMC em abril de 2024. O trabalho mostrou que obesidade, tabagismo e consumo excessivo de álcool deterioram os parâmetros seminais. O tabagismo reduz a concentração espermática em 13% a 17% quando comparado a não-fumantes.
O professor Jorge Hallak afirmou ao Jornal da USP que a maconha é a substância mais prejudicial à fertilidade masculina. O professor destacou que o estresse crônico também compromete a capacidade reprodutiva. O Brasil aparece entre os países com maiores índices de ansiedade no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Outro fator que prejudica a fertilidade é o uso de anabolizantes, já que eles suprimem a produção natural de testosterona. A exposição prolongada a produtos químicos industriais, pesticidas, metais pesados e radiação também está relacionada à infertilidade masculina.
Infertilidade sinaliza outros problemas de saúde
Homens inférteis têm maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes e câncer testicular. A investigação da infertilidade oferece oportunidade para detectar problemas sistêmicos de saúde. Além da questão reprodutiva, a avaliação médica também pode englobar urologistas, andrologistas e geneticistas trabalhando juntos para identificar as causas do problema.
“Minha mensagem final é que temos que ter um olhar global para a saúde do homem. A saúde reprodutiva é um bem-estar”, afirma o urologista Breno Santiago, referindo-se à definição de saúde da OMS que inclui o bem-estar físico, mental e social. “Quando falamos na preservação da fertilidade, não estamos falando só de um paciente que virá a ser pai no futuro. Estamos falando de uma mãe que seria avó, de uma esposa que seria mãe”, reforça o colega Antônio Tavares.
