A Polícia Federal apreendeu documentos, relatórios de inteligência e gravações na 13ª Vara Federal de Curitiba que, segundo a investigação, reforçam acusações de que Sergio Moro autorizou e determinou escutas ilegais durante as operações da Lava Jato. O material foi localizado em gavetas da própria vara responsável pelos processos e inclui transcrições de áudios envolvendo desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF‑4) e o então presidente do Tribunal de Contas do Paraná (TCE‑PR), Heinz Herwig.
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O que foi apreendido e como ocorreu a diligência
As diligências da Polícia Federal ocorreram no último dia 3, por determinação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na decisão que autorizou a ação, Toffoli determinou o exame in loco de processos, documentos, mídias e objetos relacionados às investigações, registrando expressamente o encaminhamento das diligências para a autoridade policial.
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Entre os itens recolhidos estão relatórios de inteligência, transcrições de gravações telefônicas e ambientais, e outras mídias que, segundo a apuração, teriam sido produzidas sem autorização de tribunais superiores quando as supostas escutas alcançavam autoridades com prerrogativa de foro.
Denúncias de Tony Garcia que motivaram a operação
As revelações confirmam denúncias feitas pelo ex‑deputado estadual e empresário Tony Garcia em entrevista à TV 247, concedida ao jornalista Joaquim de Carvalho. Garcia relatou que, já em 2004, teria sido orientado por Moro a realizar gravações telefônicas e ambientais contra autoridades que não estavam sob a jurisdição da primeira instância, em investigações relacionadas ao caso Banestado.
Segundo o empresário, ele teria sido coagido a atuar como agente infiltrado para produzir gravações clandestinas contra alvos políticos e autoridades com prerrogativa de foro, em diligências que — de acordo com suas declarações — também teriam mirado o então governador do Paraná e ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Resposta de Sergio Moro e próximos passos na investigação
A defesa de Sergio Moro tentou afastar a investigação do Supremo, argumentando que os fatos são anteriores ao início de seu mandato no Senado. O pedido foi rejeitado, e o STF manteve a apuração sob sua responsabilidade. Com isso, a Suprema Corte seguirá à frente das investigações sobre a conduta do ex‑juiz.
Moro nega qualquer ilegalidade. Em nota, sua equipe afirmou que o inquérito teria como base um “relato fantasioso de Tony Garcia” e declarou que o senador não teme o acesso do STF aos autos. Por sua vez, Tony Garcia afirma que a documentação encontrada na 13ª Vara é capaz de comprovar os abusos denunciados ao longo de mais de duas décadas.
A apreensão na vara de Curitiba amplia o cerco investigativo em torno de episódios polêmicos da Lava Jato e pode trazer novos elementos sobre a prática de escutas e a condução de procedimentos investigativos em casos de alto perfil. Autoridades apontadas nas transcrições ainda não se manifestaram oficialmente sobre o conteúdo apreendido.
O andamento do inquérito no STF e as análises periciais das mídias recolhidas devem apontar se houve irregularidades formais e, em caso afirmativo, identificar responsáveis e eventuais implicações legais. A Polícia Federal permanece com a guarda do material enquanto a investigação prossegue.
Fonte: Brasil 247

