Pesquisadores brasileiros têm se dedicado a tentar reduzir os custos da terapia CarT-Cell, um tipo de terapia celular que tem mudado o paradigma do combate ao câncer. Atualmente, o tratamento de um único paciente pode custar até R$ 3 milhões.
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Reduzir esse valor é uma das principais barreiras para popularizar essa linha de tratamento e torná-lo mais viável para ser aplicado no SUS, salvando muitas vidas de brasileiros, de acordo com o
“A terapia CarT-Cell consiste na captura de células de defesa do organismo chamadas de linfócitos T. Em laboratório, essas células passam por uma alteração genética que permite que elas identifiquem e destruam células cancerosas por conta própria. Depois dessa alteração genética, as células são reintroduzidas no organismo do paciente, funcionando com um “exército” que combate as células tumorais“, explica.
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Apesar das vantagens, a terapia CarT-Cell pouco é utilizada no Brasil, em função do seu altíssimo custo. Entre outros motivos, isso acontece porque toda a tecnologia utilizada é importada e paga em dólar e é aí que entra a importância do investimento em ciência no Brasil.
Cientistas brasileiros estão trabalhando para que o país conquiste autonomia técnica, barateando o custo em até 80% e aumentando as chances de o procedimento ser incluído no SUS.
Um dos projetos mais avançados com esse objetivo é o do Hemocentro de Ribeirão Preto em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Butantan, cujo estudo clínico em andamento contará com 81 pacientes. Ao concluir os testes positivamente, será possível solicitar o registro da CarT-Cell 100% brasileira junto à Anvisa, podendo oferecer o tratamento no SUS por um custo de cerca de 10% a 15% do valor atual.
“A realização dessas pesquisas é importante para democratizar o acesso de mais brasileiros a esse tipo de tratamento que, atualmente, é inviável por conta de seus elevados custos. E é também um indicativo da enorme relevância de o Brasil continuar investindo em ciência e inovação, e não apenas ser um importador de tecnologia“, opina Stocco.
Esse tipo de terapia está aprovado no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tratar linfomas e leucemias que não respondem a terapias anteriores, porém, ainda é oferecida apenas em centros privados autorizados, com altos custos para os planos de saúde ou para os pacientes que podem pagar com recursos próprios.
“Há iniciativas em curso no país na tentativa de ampliar esse acesso, mas é preciso avançar mais. Primeiramente, é preciso priorizar a produção nacional e viabilização tecnológica da produção de tecnologia e medicamentos no Brasil. Projetos como o Núcleo de Terapia Avançada do Butantan e o Centro de Terapia Celular da USP-RP buscam reduzir custos drasticamente, oferecendo modelos viáveis para o sistema público“, ressalta o médico.
“Também é necessário focar em regulação clara e ajuste econômico, garantindo que os planos de saúde incorporem essas práticas com critérios justos. Por fim, todo esse esforço fica mais fácil se a sociedade civil se envolve na discussão. Atrair a atenção de pacientes, gestores e imprensa, para que esses tratamentos sejam vistos não como luxo, mas como parte do direito à saúde“, finaliza Stocco.






