O escritório, antes visto apenas como um espaço físico destinado à produtividade, tornou-se um reflexo direto das transformações culturais e tecnológicas que marcam o mercado de trabalho.
Nos últimos cinco anos, as empresas revisaram o que significa “ir ao escritório” e o local passou a representar também identidade, pertencimento e propósito. À medida que o modelo híbrido se consolida e as fronteiras entre o presencial e o remoto se tornam mais fluídas, planejar o ambiente corporativo para 2026 exige uma visão mais ampla.
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Hoje, pensar no escritório é pensar em experiência: na forma como o espaço (físico ou digital) apoia a colaboração, na maneira como traduz os valores da marca e, principalmente, em como acompanha as mudanças do comportamento humano.
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A nova era corporativa valoriza menos a metragem e mais o significado, e é nesse ponto que o planejamento se torna essencial para antecipar o futuro do trabalho.
Planejar antes para acompanhar as mudanças
Entender como a empresa pretende operar em 2026 exige atenção a variáveis como número de colaboradores, políticas de trabalho e investimento em tecnologia. Segundo a consultoria Robert Half, nos EUA, as vagas de trabalho totalmente presenciais caíram de aproximadamente 83% para 66% entre 2023 e 2025.
Ainda conforme esse levantamento, no segundo trimestre de 2025 cerca de 24% dos anúncios de emprego eram para modelos híbridos e 12% para trabalhos totalmente remotos.
Já no Brasil, um relatório da Cushman & Wakefield aponta que a retomada gradual ao escritório é mais evidente em São Paulo e deve se expandir para outras capitais, à medida que empresas equilibram a demanda por espaço físico e a adoção de formatos híbridos.
Reconfiguração do espaço de trabalho
O ambiente corporativo passou a ser entendido como parte de uma engrenagem mais ampla, na qual estrutura, rotina e tecnologia precisam atuar de forma integrada. O espaço físico deixa de cumprir apenas a função de abrigar equipes e passa a ser planejado como um ponto de convergência entre diferentes formas de trabalho.
As salas fechadas dão lugar a áreas abertas e flexíveis, projetadas para permitir a movimentação constante de pessoas e a alternância entre momentos de colaboração e concentração.
A atenção à ergonomia, à iluminação e ao conforto acústico se mantém como prioridade, acompanhada da criação de áreas de convivência que favorecem o contato direto entre as equipes.
O mobiliário modular e os espaços multifuncionais ganham relevância porque podem ser reorganizados conforme as demandas diárias, sem necessidade de reformas ou ampliações.
O resultado é uma configuração mais adaptável, capaz de atender a estruturas em transformação contínua e de sustentar a dinâmica de trabalho que se desenha para os próximos anos.
Digitalização e novos modelos de operação
A fase atual traz a consolidação de ferramentas de automação, plataformas de gestão de projetos e sistemas de comunicação remota que transformam o escritório em muito mais do que um endereço físico.
Nesse ambiente, o conceito de escritório virtual emerge como alternativa entre negócios em expansão e profissionais autônomos que visam manter a credibilidade sem depender exclusivamente de espaço presencial.
Esse tipo de estrutura permite atendimento remoto, presença digital e, em alguns casos, endereço fiscal, o que fortalece a operação mesmo com menor demanda de instalações físicas.
Um relatório internacional da Yomly estima que cerca de 48% da força de trabalho global em 2025 opera em algum regime remoto. Por consequência, a infraestrutura organizacional, seja para o ambiente físico ou para o digital, precisa oferecer suporte contínuo, seguro e flexível para acomodar equipes distribuídas, plataformas integradas e operação híbrida.
Sustentabilidade e propósito corporativo
A incorporação de práticas sustentáveis ao planejamento dos escritórios acompanha a exigência crescente por responsabilidade ambiental e social nas operações empresariais. A redução de deslocamentos, o uso de energia renovável e a adoção de materiais de baixo impacto ambiental tornaram-se parte dos critérios de decisão em projetos corporativos.
Além das metas de eficiência energética, cresce a busca por certificações verdes e soluções que permitam o reaproveitamento de recursos, como captação de água da chuva e sistemas inteligentes de iluminação. No aspecto social, o desenho dos espaços também considera acessibilidade, inclusão e bem-estar, refletindo políticas de diversidade que se estendem ao ambiente de trabalho.





