Quarenta e seis anos se passaram, mas a memória da maior enchente da história do Rio Doce, ocorrida entre janeiro e fevereiro de 1979, permanece viva. O episódio trágico que marcou o município de Baixo Guandu foi o colapso da Ponte Mauá, um elo vital que ligava o Espírito Santo a Minas Gerais, especificamente a Baixo Guandu ao Bairro Mauá da cidade mineira de Aimorés.
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A catástrofe foi resultado de um período de chuvas ininterruptas que se estendeu por cerca de 35 dias no Vale do Rio Doce, elevando o nível das águas a patamares nunca antes vistos. A enchente, de proporções colossais, causou a destruição de estradas e pontes em toda a região, paralisando até mesmo a circulação de trens de passageiros e minério na Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). O prejuízo geral na época foi considerado incalculável.
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O Isolamento e o Recomeço
Com a força brutal da correnteza, a histórica Ponte Mauá ruiu. Sua queda não foi apenas um desastre estrutural, mas também um golpe para a vida e economia local. Milhares de pessoas de ambos os estados viram a comunicação e o tráfego normal serem interrompidos, tornando a vida cotidiana e os negócios muito mais difíceis. A travessia do rio passou a ser feita por balseiros, que cobravam altas taxas, isolando comunidades inteiras em meio ao caos.
O desastre mobilizou o país. A enchente de 1979 deixou um saldo de 74 mortes e mais de 100 mil desabrigados, danificando milhares de residências em cidades capixabas e mineiras.

A superação, no entanto, veio em pouco tempo. Dois anos e meio após a tragédia, em agosto de 1981, uma nova estrutura foi inaugurada no local. A Ponte Jones dos Santos Neves restabeleceu o tráfego entre os estados, pondo fim ao isolamento e aos onerosos custos da travessia por balsa, e injetando novo ânimo na região.
A queda da Ponte Mauá em 1979 é um lembrete perene do poder destrutivo da natureza e da resiliência das comunidades ribeirinhas do Rio Doce.





