A relação entre o crescimento urbano e as variações de temperatura nas cidades, um tema crucial para o planejamento sustentável, foi o foco de um projeto de pesquisa desenvolvido por estudantes da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Honório Fraga, em Colatina. Entre os meses de julho e setembro, alunos do Ensino Médio Integrado combinaram conhecimentos de diversas disciplinas – Geografia, Química, Física, Matemática e Biologia – para analisar a desigualdade térmica urbana do município.
O projeto teve como objetivo central explorar a influência da ocupação do solo e da cobertura vegetal no
microclima da cidade. Para isso, os estudantes foram introduzidos ao QGIS, um poderoso software de geoprocessamento amplamente utilizado em estudos ambientais e urbanos.
Mapeamento Revela “Ilhas de Calor”
Com a aplicação prática do QGIS, o grupo analisou dados específicos sobre o território de Colatina, como o grau de impermeabilização do solo, a densidade de edificações, a presença de áreas verdes e de corpos d’água. O resultado desse trabalho foi a criação de um mapa temático que visualmente demonstrou como a distribuição desses elementos impacta a temperatura local.
O estudo revelou que as áreas com maior concentração de construções e menor cobertura vegetal registram, de fato, temperaturas significativamente mais elevadas, evidenciando o fenômeno das “ilhas de calor” urbanas.
“No mapa, percebemos que os bairros com mais árvores são mais frescos, enquanto os com muito asfalto e poucas áreas verdes são bem mais quentes”, ressaltou a aluna Ana Clara Alves da Silva, da 3ª série.
Ciência e Sustentabilidade no Ambiente Escolar
Para a professora Angélica Comper, responsável pela atividade, o projeto promoveu um aprendizado multidisciplinar e transformador. “Ao aplicar o QGIS, os estudantes compreenderam conceitos de geotecnologia e visualizaram, na prática, como o ambiente urbano se transforma com a ação humana. A desigualdade térmica é um reflexo direto do modo como ocupamos o território e planejamos nossas cidades”, afirmou a educadora.
A iniciativa buscou ir além da análise, promovendo a compreensão dos impactos da urbanização desordenada e incentivando a reflexão sobre a necessidade de políticas sustentáveis e do uso racional do espaço público em Colatina. A utilização de ferramentas digitais e o foco em um problema ambiental local destacam o papel da escola na formação de cidadãos conscientes e capazes de propor soluções para os desafios urbanos.
