Vilma Maria do Rosário Manhani, que exercia a função de diretora contábil do Legislativo, é investigada pela Polícia Civil por supostamente realizar transferências irregulares de dinheiro público para sua conta pessoal. Um levantamento preliminar das investigações aponta que os desvios somam cerca de R$ 71 mil, mas as autoridades não descartam que o prejuízo possa ser maior.
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De acordo com o delegado Renan Alves dos Santos, titular da Delegacia de Itaguaçu, a investigação teve início após uma denúncia da própria Câmara. A suspeita sobre a conduta da servidora surgiu quando um novo servidor efetivo, ao assumir seu posto, não conseguiu acesso às senhas dos sistemas financeiros, que eram de responsabilidade de Vilma.
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“O servidor pedia à diretora a liberação das senhas para acompanhar os dados financeiros, porém não tinha retorno. Isso gerou um problema interno“, explicou o delegado. A situação levou o presidente da Câmara, Cristian Casagrande (Podemos), e outro servidor a irem até o banco para conferir o saldo da conta institucional. Lá, teriam identificado várias transferências para a conta pessoal de Vilma, incluindo uma realizada na terça-feira (16), um dia antes da prisão.
O delegado Renan Alves afirmou que o valor identificado de R$ 71 mil refere-se a um período de aproximadamente três meses. “Pode ser muito maior pelo tempo que ela atuava na Câmara. Vamos dar continuidade às investigações, até para verificar se há participação de outras pessoas e a extensão do dano“, pontuou.
O assessor jurídico da Câmara, Enoc Joaquim da Silva, confirmou que Vilma era responsável por todo o processo contábil da Casa, incluindo empenhos, pagamentos e liquidações. “Passou por várias gestões, várias presidências, ninguém esperava. Fomos todos surpreendidos“, comentou. Ele reforçou que uma apuração interna identificou as irregularidades, que foram prontamente comunicadas à polícia.
Em nota oficial divulgada na quinta-feira (18), a presidência da Câmara afirmou que está fornecendo todas as informações necessárias para a investigação e que será instaurado um procedimento administrativo interno. O comunicado destacou o compromisso de realizar as apurações com “rigor, transparência e imparcialidade“.
Prisão e Defesa
A prisão em flagrante foi realizada dentro da sede do Legislativo, sem alarde ou resistência. Conforme relatou o delegado, a servidora foi abordada durante um curso sobre controle de gastos públicos e boas práticas de fiscalização, do qual participava. Ela foi autuada pelo crime de peculato e encaminhada para a Penitenciária de Colatina.
O advogado de Vilma, Raphael Petronetto, informou que pedirá a liberdade da cliente na audiência de custódia marcada para sexta-feira (19), argumentando que ela é ré primária e tem endereço fixo. Petronetto disse ainda não ter tido a oportunidade de conversar com Vilma sobre as acusações, mas, em contato com a família, ouviu que todos estavam “surpresos” e que, se confirmado o desvio, ninguém usufruiu dos recursos, mantendo o mesmo padrão de vida sem aquisição de bens.
Além da prisão, foram apreendidos equipamentos eletrônicos da servidora, incluindo computador, notebook e celular, que serão periciados. As investigações continuam para apurar a totalidade dos desvios e a possível existência de outros envolvidos.





