A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira uma operação para desarticular um amplo esquema de fraudes e desvios de verbas de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O prejuízo aos cofres públicos, entre 2019 e 2024, é estimado em R$ 6,3 bilhões.
De acordo com as investigações conduzidas pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU), associações e entidades que oferecem serviços a aposentados cadastravam pessoas sem autorização, utilizando assinaturas falsas, para descontar mensalidades dos benefícios pagos pelo INSS. Em muitos casos, os idosos nem sabiam que haviam sido “filiados“.
Foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão em endereços de São Paulo e do Distrito Federal, expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
Como funcionava o esquema
Segundo as autoridades, o modus operandi envolvia:
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Suborno a servidores: Pagamento de propina a servidores do INSS para obter dados sigilosos de beneficiários.
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Assinaturas falsas: Uso de firmas falsas para autorizar os descontos em folha.
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Entidades de fachada: Criação de associações fraudulentas, muitas vezes presididas por idosos, pessoas de baixa renda ou aposentados por incapacidade, para viabilizar os desvios.
Com a conivência de dirigentes e servidores do INSS, que recebiam vantagens indevidas, os descontos eram inseridos ilegalmente nos contracheques. Há registros de aposentados que foram filiados a mais de uma entidade no mesmo dia, com erros de grafia idênticos, o que evidenciou a fraude.

Prisões e apreensões
Entre os presos estão o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado pela PF como o “facilitador” do esquema, e o empresário Maurício Camisotti, identificado como sócio oculto de uma das entidades e beneficiário das fraudes.

Antunes foi conduzido à Superintendência da PF no DF. As investigações apontam que ele transferiu R$ 9,3 milhões para pessoas ligadas a servidores do INSS apenas entre 2023 e 2024. Em sua casa, agentes apreenderam diversos carros de luxo, incluindo Ferrari, Porsche, Mercedes e um veículo de Fórmula 1.

A operação também realizou buscas na casa e no escritório do advogado Nelson Wilians, em São Paulo, onde foram encontradas diversas obras de arte.
O que dizem as defesas
Por telefone, a defesa de Antunes afirmou à TV Globo que vai buscar a liberdade do cliente. A reportagem não conseguiu localizar formalmente seus advogados.
A defesa de Maurício Camisotti emitiu nota afirmando que não há “qualquer motivo que justifique sua prisão” e criticou a “arbitrariedade” da operação, alegando que o celular do empresário foi tomado enquanto ele falava com seu advogado. O texto diz que “adotará todas as medidas legais cabíveis” para reverter a prisão.
Em nota, a defesa de Nelson Wilians esclareceu que o advogado “tem colaborado integralmente com as autoridades e confia que a apuração demonstrará sua total inocência”. Ele afirmou que sua relação com um dos investigados é “estritamente profissional e legal”.
Crise no INSS
A fraude veio à tona em abril deste ano, o que levou à demissão do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. A investigação começou em 2023 no âmbito administrativo da CGU, que repassou o caso à PF após encontrar indícios de crimes.
Fonte: G1





