Com a proximidade do Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, especialistas reforçam o alerta sobre o alto número de acidentes domésticos fatais entre idosos no Brasil. Entre 2023 e 2024, mais de 11,8 mil pessoas com 60 anos ou mais perderam a vida em quedas dentro de casa, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.
Os registros mostram que os tipos mais comuns de acidentes foram quedas no mesmo nível (4.813), escorregões ou tropeços (2.537) e quedas sem especificação (902). Além das mortes, o impacto no sistema de saúde é significativo: de 2023 até março de 2025, mais de 328 mil idosos foram internados devido a incidentes semelhantes.
Para entender melhor o cenário, o professor e pesquisador Luciano Magalhães Vitorino, da Faculdade de Medicina da FMIT Afya, em parceria com o Centro Universitário Ages (BA), realizou um estudo com 400 idosos atendidos na Atenção Primária à Saúde. A pesquisa identificou que 20% dos entrevistados relataram ter sofrido quedas no último ano. Entre os fatores de risco, estão ser mulher, ter percepção negativa da saúde, internações recentes e baixa cognição.
“Além do envelhecimento natural, hábitos sedentários e isolamento social contribuem para a perda de equilíbrio. É fundamental incentivar exercícios simples, como sentar e levantar da cadeira, simular caminhada ou elevar os calcanhares com apoio”, explica o professor Luciano Vitorino. “Também é importante inserir o idoso em grupos sociais, o que fortalece a autoestima e a memória.”
Para os casos mais delicados, o especialista indica a realização da Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) em unidades de saúde, ferramenta que analisa visão, audição, equilíbrio, humor, memória, uso de medicamentos e capacidade funcional. Com base nesses dados, é possível criar um plano individualizado de cuidados.
Adaptações no lar também são fundamentais para evitar quedas. Luciano orienta a instalação de barras de apoio, a retirada de tapetes soltos, a melhoria da iluminação e o uso de pisos antiderrapantes. Ajustes em camas, sofás e escadas, bem como o fácil acesso a telefones e objetos de uso diário, também são recomendados.
“É preciso atenção especial à pressa para ir ao banheiro, sobretudo à noite. A incontinência urinária pode provocar acidentes graves. Medidas simples como essas fazem toda a diferença para preservar a autonomia, a segurança e a qualidade de vida do idoso”, completa o professor.





