Impulsionado pela crise sanitária provocada pela gripe aviária (H5N1) em grandes mercados consumidores, como os Estados Unidos, o Espírito Santo bateu recorde nas exportações de ovos nos cinco primeiros meses de 2025. O Estado embarcou 1,6 mil toneladas do produto, gerando US$ 3,6 milhões em receita — um salto de 682% em valor e 370% em volume em relação ao mesmo período de 2024. Os dados são da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag).
De janeiro a maio, os ovos capixabas chegaram a 25 destinos internacionais, com destaque absoluto para os Estados Unidos, que responderam por mais de 97% do valor exportado. O avanço nas vendas é reflexo da escassez causada pelo abate massivo de aves em razão dos surtos de gripe aviária no país norte-americano, que forçou importadores a buscar fornecedores externos confiáveis e com padrão sanitário elevado.
Segundo o secretário estadual de Agricultura, Enio Bergoli, o desempenho capixaba vai além da resposta à crise: “Essa conquista também mostra o preparo dos nossos produtores, que cumprem rigorosamente os requisitos sanitários exigidos pelo mercado internacional e conseguiram aproveitar uma janela estratégica de oportunidade”, destacou.
Além dos EUA, Panamá e Ilhas Marshall também aparecem entre os principais compradores, embora em volumes significativamente menores. A mudança mais impactante ocorreu a partir de fevereiro, quando os Estados Unidos passaram a importar ovos brasileiros não apenas para uso industrial, mas também para consumo humano direto — ampliando significativamente o mercado.
De acordo com Filipe Barbosa Martins, gestor de projetos da Seag, essa mudança no perfil da demanda foi decisiva. “O mercado americano, antes restrito à importação para rações, passou a permitir o uso de ovos como insumo na indústria alimentícia, o que aumentou o potencial de negócios para os produtores capixabas”, explicou.
O Espírito Santo é hoje responsável por cerca de 7% da produção de ovos do Brasil. Em 2024, foram produzidos 5,2 bilhões de ovos de galinha e 1,7 bilhão de ovos de codorna, o que representa uma média de quase 1.700 ovos por habitante ao longo do ano. O município de Santa Maria de Jetibá lidera a produção nacional tanto de ovos de galinha quanto de codorna.
A avicultura representa mais da metade do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de Santa Maria de Jetibá e gerou quase R$ 2 bilhões em renda para avicultores capixabas em 2023. Segundo a Associação dos Avicultores do Espírito Santo (AVES), a expectativa é que os volumes de exportação se mantenham aquecidos ao longo do ano, mesmo com possíveis oscilações.
Para Nélio Hand, diretor executivo da AVES, o momento é promissor: “Mesmo com eventuais ajustes no ritmo, os patamares devem se manter elevados. O Espírito Santo demonstrou sua força produtiva e conquistou espaço como fornecedor estratégico em um mercado internacional em crise”.
A confiabilidade sanitária da produção capixaba foi reforçada recentemente com o reconhecimento oficial do Espírito Santo como zona livre da Doença de Newcastle, uma conquista importante para consolidar sua presença em novos mercados.





