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Nascem primeiros filhotes de onças-pintadas em cativeiro no Espírito Santo

Redação Colatina em Ação – 03/09/2019

Texto: Julio Huber / Fotos: Julio Huber – Montanhas Capixabas

No ano em que ambientalistas alertaram que a onça-pintada (Panthera onca) é um dos animais sob risco de extinção no Brasil, uma boa notícia vinda do Zoo Park da Montanha, em Marechal Floriano, dá uma esperança para a preservação do maior felino das Américas. Pela primeira vez no Espírito Santo, nasceram dois filhotes de onças-pintadas em cativeiro.

A reprodução em cativeiro é considerada rara, já que é preciso que os animais estejam em ambiente adequado, livre de estresse e que o casal tenha afinidade. Os irmãos são filhos da onça-pintada Tupã e do macho Negão. O pai morreu antes de ver seus filhos nascerem.

Mas, Negão, que era uma onça-preta, deixou sua genética bem reforçada, já que um dos filhotes é preto. Essa variação na pelagem é chamada de melanismo, que é o aumento concentrado e considerável de pigmentação preta, que ocorre por mutação genética em animais, no corpo inteiro.

Os filhotes nasceram no último dia 20 de junho, mas só agora estão sendo divulgados. O primeiro a nascer foi o pintado, e cerca de 20 minutos depois nasceu o preto. A gestação das onças dura de 90 a 110 dias. Os irmãos já passaram por avaliações de veterinários e estão adaptados ao zoológico.

Brincalhões, os filhotes estão sadios e já mostram seu lado feroz, um exemplo é que já começaram a comer carne moída. Na manhã desta sexta (30), eles tomaram o primeiro banho, sob o olhar atento da mamãe onça, que chegou a retirar um dos filhotes da água. No Brasil, esse é o terceiro nascimento de onças-pintadas em cativeiro em 2019. Os outros foram em Goiânia (GO) e em Foz do Iguaçu (PR).

Com menos de cinco anos no zoológico, a mãe Tupã veio Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), do Exército, que fica em Manaus, capital do Amazonas. Já o Negão, pai dos filhotes, chegou ao zoológico vindo de Belém, no Pará.

A veterinária Kristal Furno, que atua no Zoo Park da Montanha, contou que no Brasil há uma única espécie de onça-pintada, que é a (Panthera onca). Entretanto, a espécie ocorre em cinco biomas: Amazônia, Mata Atlântica, Caatinga, Cerrado e Pantanal. E pode haver diferenças no tamanho e no peso dos animais de acordo com a região onde vivem. As existentes do zoológico são da Amazônia.

“A população de felinos em cada um desses biomas sofre diferentes tipos e níveis de ameaças, por isso é importante a reprodução em cativeiro. E quando isso acontece, como é o nosso caso no zoológico, é um dos indicadores de que os animais estão sendo bem tratados e com o ambiente adaptado a eles”, informou a veterinária.

A bióloga Thatiane Lázaro Corona Borlini destacou que a reprodução em cativeiro dessa espécie não é fácil. “É preciso de manejo e muito cuidado, pois é natural a mãe ‘comer’ os filhotes, principalmente por estresse ou medo”, informou. Esse é um dos motivos de os filhotes ainda não estarem disponíveis para serem vistos. No vídeo abaixo é possível ver a mãe onça amamentando o filhote preto, enquanto o pintado descansa ao lado.

Ainda segundo a bióloga, a reprodução em cativeiro contribui muito para a conservação da espécie. “Esses filhotes podem fornecer material genético para projetos de pesquisa que trabalham nessa causa, tentando a reintrodução de animais em vida livre”, disse.

O período de aproximação entre o macho e a fêmea demorou, aproximadamente, seis meses até a total interação entre eles. A equipe técnica, composta pela bióloga Thatiane, a veterinária Kristal e o veterinário Eduardo Lázaro de Faria da Silva, acompanhou desde a cópula ate os primeiros sinais de contração.

Foram instaladas câmeras na área de manejo, onde todo o parto, bem como os primeiros cuidados da mãe com os filhotes foram acompanhados. “Ficamos 24 horas de plantões, monitorando os filhotes e acompanhando todo comportamento da mãe, que é uma mãezona”, afirmou Kristal.

Reprodução de onças no zoológico era um sonho do fundador

De acordo com a gestora do Zoo Park da Montanha, Rosângela Vieira, o objetivo é continuar contribuindo com a preservação da espécie, com a reprodução de mais onças. “Temos mais uma onça, a Tainá, que queremos que reproduza também. Uma das funções dos zoológicos é a manutenção de espécies. E se conseguirmos reproduzir mais onças-pintadas, podemos enviar para outros locais no Brasil que trabalham na manutenção da espécie”, contou Rosângela.

Ela afirmou que a reprodução das onças no zoológico é emocionante, pois era um sonho de seu pai, Romeu Nunes Vieira, criador do local, e falecido em fevereiro de 2017. “Dedicamos a ele essa conquista. Estamos muito felizes com o trabalho da nossa equipe, que se dedicou incansavelmente a esse projeto e vamos dar continuidade a esse sonho de meu pai, que está vivo entre nós”, afirmou.

E os visitantes que estiverem no Zoo Park da Montanha neste sábado (31), poderão saber qual o sexo dos dois filhotes, que ganharão um chá de revelação para celebrar esse momento. Nos próximos dias também será feita uma campanha para a escolha do nome dos filhotes.

Zoo Park da Montanha possui mais de 150 espécies de animais

A criação dos animais que hoje estão no zoológico foi iniciada em 1979 pelo comerciante Romeu Nunes Vieira, falecido em fevereiro de 2017, que havia comprado uma propriedade para iniciar a criação de animais: sua paixão de criança. Com o passar dos anos, a quantidade e variedade foram aumentando e surgiu a ideia de transformar o local em zoológico.

Em 1989 foi dado início a um processo junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para estruturar o local com todas as exigências de um zoológico. Após vencer todas as etapas burocráticas, em 2012 o Zoo Park da Montanha passou a atender visitantes.

O local conta com mais de 700 animais de 150 espécies e provenientes de mais de 10 países. Entre os animais que podem ser vistos, se destacam: leão, onças, tigres, harpias, macacos, araras, cervos, antas, emus, emas, lobo-guará, flamingo, avestruz, jacaré e outras dezenas de espécies de aves, mamíferos e répteis.

Serviço

Horário de funcionamento: terça-feira a domingo, de 9h às 17h
Valor do ingresso: crianças de até 2 anos não pagam e de 2 a 12 anos o valor do ingresso é R$ 15,00. Acima de 12 anos o ingresso custa R$ 30,00. Estudantes com carteirinhas atualizadas e idosos acima de 60 anos pagam R$ 15,00. Para o programa de educação ambiental, o ingresso custa a partir de R$ 18,00
Escolas: agendamentos de escolas podem ser feitas pelo e-mail: zooparkdamontanha@zoologicosdobrasil.com.br
Como chegar: Para chegar ao Zoo Park da Montanha, basta entrar no quilômetro 49 da BR-262, em Barra de Rio Fundo, passar atrás do Posto Ipiranga e seguir por uma estrada pavimentada até o zoológico, distante cerca de um quilômetro da rodovia. Fonte: Site Montanhas Capixabas

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