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Cai a noite na Barra, e as ruas estão mais vazias do que o habitual

Redação Colatina em Ação – 14/07/2019

Texto de Marcos Lucas Valentim

Cai a noite na Barra, e as ruas estão mais vazias do que o habitual.
É deprimente.
Além de mim, João é a única pessoa nesta calçada.
Eu voltava da farmácia; ele, sentado no meio-fio.
Puxei assunto.
.Tá fazendo o que aí?

Vendendo bananada – respondeu, expondo uma timidez acentuada.

Tá sozinho?

Não, meu irmão tá ali no sinal.

Qual é seu nome?

João.

Tá com fome, João?
.
Ele hesitou por alguns segundos. Olhou para um lado, olhou para o outro e balançou a cabeça em sinal de afirmação.
.

Já comeu aqui? – pergunto, apontando pro Subway que está às suas costas.

Não. – Chama teu irmão lá. Ele deve estar com fome também. .
A voz frágil ecoou pela Avenida das Américas, de modo que Pablo veio num pique.
Entramos. .

Isso aqui é o quê?

Salaminho.

E isso?É um frango diferente.
.
Pablo só observava, enquanto eu tirava as dúvidas do irmão.
À medida que a atendente montava o sanduíche, fomos conversando.
Pablo tem 14 anos e João, 11.
A mãe deles trabalha na estação Bosque Marapendi do BRT e, quando termina o expediente, pega os dois, e lá vão os três para Santa Cruz, onde moram.
.
Eu queria poder fazer muito mais.
Queria poder dar oportunidades a todas essas pessoas que cruzam meu caminho.
Mas vou fazendo o que posso, mesmo sem ser rico de dinheiro.
Poder alimentar alguém é uma bênção.
E eu nunca vou ser tão pobre de espírito a ponto de perder isso.

Fonte: Razões Para Acreditar

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