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Pai que fugiu de ES com filho de dez meses é encontrado em São Paulo

Pai e filho estavam desaparecidos desde o último dia 18. A Justiça expediu um mandado de prisão contra o pai, que era considerado foragido.
O menino de dez meses foi resgatado por policiais da Divisão de Vigilância e Capturas de SP, chefiada pela delegada Ivalda Aleixo
O homem que fugiu de Santa Maria de Jetibá, na região serrana do Estado, com o filho de dez meses foi encontrado e preso em São Paulo, nesta terça-feira (30). O menino Ravi Pietro foi resgatado e será entregue de volta à mãe, a cabeleireira Patrícia Paula Bull, de 27 anos.

Já o pai, o advogado Rodrigo Carvalho Pinto, foi detido em flagrante por subtração de incapaz e ameaça. Além disso, contra ele havia um mandado de prisão em aberto, por descumprimento a uma medida protetiva.

A criança foi levada de casa pelo pai no último dia 18. Desde então a polícia vem fazendo buscas para localizar pai e filho. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil do Espírito Santo, por meio da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

De acordo com a delegada Ivalda Oliveira Aleixo, da Divisão de Vigilância e Capturas de São Paulo, que efetuou a prisão de Rodrigo, o suspeito estava morando, com a família, em uma casa alugada.

“Nós precisamos fazer um tour por toda a zona leste até chegar em Santo André, com toda a família dentro da viatura, para poder chegar à casa dele. Ele não sabia que nós estávamos lá. Nós conseguimos a chave e ficou um pessoal fora para que ele não fugisse ou fizesse qualquer mal para a criança de dez meses”, contou à delegada, em entrevista ao programa Cidade Alerta, da Record TV.

Ainda de acordo com a delegada, a criança passa bem e não apresenta sinais de maus tratos. “A princípio, em contato com o delegado do Espírito Santo, a preocupação era que essa criança, além de não estar sendo amamentada, podia estar sofrendo maus tratos. A gente tinha a informação de que a criança chorava muito. O lugar [onde eles foram encontrados] realmente não tinha higiene nenhuma, mas a criança, felizmente, não apresentava nenhuma lesão. E nós vimos lá que tinha um tipo específico de leite que substituía a amamentação, tinha comida para criança. Então, aparentemente, a criança não tem maus tratos, mas chorava muito”, contou.

“A criança está sendo alimentada pelos policiais da Capturas, com tudo que ela tem direito. A avó paterna também está aqui, nós deixamos que ela tivesse acesso à criança para acalmar. A criança está brincando e nós acionamos o conselho tutelar. Mas a mãe, a Patrícia, também já foi comunicada para vir buscar essa criança e ela pretende estar aqui amanhã”, completou Ivalda Aleixo.

A delegada disse ainda que Rodrigo tentou resistir à prisão, mas foi algemado e levado para a delegacia. “Nós tínhamos o conhecimento de que ele poderia ser violento e ficamos do lado de fora, para evitar que ele saísse por trás. A aproximação de mulheres também não seria bom. Parece que ele é violento mesmo com as mulheres da família e com a ex dele. Então os meninos entraram com a chave, em silêncio. Ele passou a discutir, disse que não viria porque o filho era dele, que não ia entregar o filho, mas não tinha como resistir. Ele foi algemado e veio com a gente”, contou a delegada, que explicou que o suspeito foi preso em flagrante e também por haver mandado de prisão contra ele.

“Nós estamos dando cumprimento a um mandado de prisão pelo descumprimento das medidas protetivas e nós demos voz de prisão em flagrante para ele por subtração de menor. Ele não tinha mais a guarda dessa criança quando ele saiu de lá, pegou um ônibus e veio para São Paulo, e ele sabia disso. E ele deixou bilhetes ameaçando que, se fossem atrás dele, ele mataria a criança e depois se mataria. A irmã confirmou que realmente ele é muito violento e que até já agrediu a irmã”, ressaltou.

Segundo Ivalda Aleixo, além de Rodrigo, os familiares dele deverão prestar depoimento à polícia. “Os familiares serão todos ouvidos porque eles sabiam que tinha uma criança que estava dentro de um quarto sem janela, trancado, com um colchão no chão. De qualquer forma, a criança estava lá abandonada sem sair há mais de uma semana”, frisou.

O caso

O caso foi denunciado pela mãe da criança, moradora da zona rural de Santa Maria de Jetibá. De acordo com a mulher, a criança foi levada pelo pai, dentro da própria casa dela.

Segundo a vítima, no dia do desaparecimento da criança, o menino estava com a avó em casa, enquanto ela trabalhava. A cabeleireira relata que já recebeu ameaças por parte do ex-marido, mas permitiu que ele fosse até a casa da família para visitar o filho.

Em um momento de distração da avó, segundo a mulher, o pai do menino pegou a criança e os dois entraram em um táxi. A cabeleireira disse que chegou a conversar com o taxista, que informou que levou o pai com o menino até a rodoviária da cidade. Segundo o taxista, a criança foi chorando durante todo o trajeto.

A cabeleireira relatou ainda que recebeu uma ligação da mãe do ex-marido, dizendo que ele teria ido para a casa dela, em São Paulo. No último dia 20, a mulher resolveu ir até a capital paulista. De acordo com ela, foi possível ver o filho por alguns segundos, mas o suspeito logo colocou o filho para dentro de casa.

Na ocasião, um mandado de busca e apreensão foi concedido à mulher pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), porém a busca não foi cumprida porque os representantes do conselho tutelar se negaram a comparecer com a vítima. Mesmo assim, o juiz autorizou a entrada das autoridades policiais e da vítima, mesmo sem a presença do conselho tutelar. A mulher alegou, entretanto, que a ex-sogra impediu a entrada deles na residência e as autoridades policiais disseram que, diante da proibição, não podiam invadir a propriedade.

No dia seguinte, a cabeleireira alegou que recebeu uma ligação da mãe do suspeito, dizendo que ele foi até a rodoviária e embarcou com o bebê novamente na rodoviária, mas desta vez, não informou o destino.

De volta ao Espírito Santo, a vítima procurou a Polícia Civil e pediu que o suspeito fosse rastreado. A Polícia Militar informou que, quando recebeu a denúncia do desaparecimento fez buscas pela região, mas não localizou o suspeito.

Fonte: Folha Vitória

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